Dicas para lidar com conflitos em condomínios

 

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Intermediar conflitos em condomínios faz parte da rotina tanto do morador que assume o cargo de síndico, quanto do profissional que se qualifica para gerenciar o prédio. Afinal, a convivência entre vizinhos nem sempre é tranquila e compete ao síndico o dever de cumprir e fazer cumprir a convenção, o regimento interno e as determinações da assembleia. Assim como impor e cobrar as multas devidas em caso de descumprimento das regras do condomínio.

Por isso, quanto mais conhecimento o síndico tiver e quanto mais detalhadas as regras estiverem, melhor será para evitar problemas.

No dia a dia do condomínio, discussões podem ocorrer por causa de animais de estimação, crianças, barulho, vazamentos e inadimplência. Outro problema bastante comum que costuma gerar desentendimentos é o uso indevido de vagas de garagem.

Caso o síndico não consiga intermediar esses conflitos no condomínio, ou não queira se envolver na resolução do problema, provavelmente terá que enfrentar ele mais a frente e em um estágio muito mais grave.

Muitas vezes, essas situações podem gerar até mesmo em ações contra o condomínio. No entanto, antes de advertir ou multar o condômino, o síndico deve ouvir, avaliar e estabelecer um diálogo amigável, alertando sobre a punição caso a situação persista.

Para evitar o descumprimento das regras, o síndico deve agir de forma preventiva, divulgando aos moradores o que é e o que não é permitido nas áreas comuns do prédio.

Quer promover uma comunicação eficaz para minimizar os conflitos decorrentes da desinformação? Continue a leitura e confira.

Como agir para evitar problemas de convivência

Os 5 C’s do condomínio – cano, cachorro, crianças, carro, calote – são os conflitos mais recorrentes em condomínios. De acordo com o advogado e especialista em direito imobiliário e condominial, Rodrigo Karpat, o síndico só deve intervir quando o problema passa a afetar na rotina do prédio e a envolver toda comunidade. Alguns exemplos são os casos de inadimplência, danificação do patrimônio do condomínio, barulhos de obra ou serviço fora do horário.

“Para evitar demandas judiciais originadas de problemas de convivência, o síndico precisa adotar soluções que auxiliem na resolução dos conflitos de forma preventiva. O ideal é contar com uma assessoria jurídica especializada, assim como buscar alternativas para minimizar situações que possam resultar em litígios”, afirma o especialista.

Ainda, segundo Karpat, o número de ações decorrentes de problemas de convivência é alto. Apenas o escritório de advocacia Karpat Sociedade de Advogados recebe, em média, 9 mil ações relativas a conflitos em condomínios.

Para evitar esses problemas, o síndico deve garantir que moradores e funcionários respeitem as regras estabelecidas e convencionadas em assembleia. Dessa forma, o gestor consegue assegurar a boa convivência e prevenir possíveis conflitos entre moradores.

Porém, nem sempre isso é possível. Nesses casos, antes de multar os envolvidos, o síndico deve tentar amenizar a situação. Uma alternativa é mediar o conflito por meio da contratação de um profissional com experiência e capacitação em condomínios, que possua técnicas apropriadas para que não haja envolvimento direto e possíveis favorecimentos.

Dicas para lidar com os principais conflitos em condomínios

Os conflitos em condomínios podem ser de diversas naturezas: seja o morador que não paga em dia, o funcionário que processa o condomínio, ou brigas e discussões entre vizinhos. Para resolver os problemas do dia a dia de um condomínio, o síndico deve tomar algumas medidas essenciais.

Risco à segurança dos moradores e do condomínio:

Os próprios moradores e funcionários podem colocar a segurança em risco quando não cumprem o regimento interno. Para evitar essas situações, o síndico deve investir em soluções tecnológicas inovadoras que operem de forma inteligente para evitar que irregularidades sejam praticadas.

Outra atitude é reforçar a responsabilidade de todos na segurança do condomínio. Isso pode evitar com que os moradores e funcionários facilitem a entrada de pessoas desconhecidas sem a devida autorização, por exemplo.

Uso indevido das áreas comuns:

Garantir a proteção das áreas comuns do prédio está entre as atribuições do síndico, que precisa sempre orientar os funcionários e os moradores sobre as principais normas que devem ser cumpridas.

É muito comum que o síndico tenha que lidar com condôminos que não cumprem as regras, nesses casos ele deve aplicar uma punição, seja por meio de uma advertência verbal ou escrita e, em casos de recorrência, uma multa.

Tumultos em assembleias:

O síndico precisa manter a ordem para evitar tumultos e discussões durante a assembleia condominial. Muitas vezes, alguns moradores querem resolver problemas de convivência nesse momento. Por isso, e para evitar discussões desnecessárias, o síndico deve ter pulso firme para garantir que seja debatido apenas os assuntos que estão em pauta.

Briga entre condôminos:

O síndico não deve interferir na resolução ou intermediação de conflitos que envolvam dois ou mais vizinhos, a não ser em casos que atrapalhe a rotina do prédio. Nessas situações, o síndico deve conversar com os envolvidos, advertir, se necessário, e, em último caso, aplicar a multa.

Queixas relacionadas à barulho excessivo:

As queixas por barulho excessivo são frequentes. Quando a situação incomoda o dia a dia dos outros moradores, o síndico deve intervir e conversar com as pessoas envolvidas, advertindo sobre as reclamações e, apenas em último caso, multá-las.

Reclamações contra animais domésticos:

Não são raras as discussões sobre barulho dos latidos, a sujeira ou mal odor, ou até sobre riscos à saúde de outras pessoas. Porém, o síndico não pode proibir a existência de animais de estimação no condomínio. Ter um animal doméstico é direito do condômino, desde que siga algumas regras estabelecidas no regulamento interno do condomínio.

Confira o que o regimento interno pode prever, de acordo com o advogado especialista em condomínios Rodrigo Karpat:

  • Circulação dos animais limitada;
  • Obrigar o uso de coleira em áreas comuns;
  • Carteira de vacinação atualizada;
  • Advertência em caso de perturbação, como barulho, sujeira ou animais soltos.

O regimento não pode:

  • Proibir animais, mesmo que seja definido em assembleia;
  • Exigir o uso de focinheira, salvo se a legislação obrigar;
  • Impor raça, tamanho ou quantidade de animais, desde que eles não causem risco ao sossego, à saúde ou à segurança;
  • Obrigar o morador a carregar o animal no colo.

Condômino inadimplente:

Uma das atribuições do síndico é negociar com os condôminos inadimplentes. A nova legislação, vigente desde 2015, agilizou a cobrança desse tipo de dívida, mas não acabou com o problema. Para evitar conflitos dessa natureza, o síndico deve optar por acordos amigáveis e que facilitem o pagamento da dívida.

Garagem e estacionamento:

Discussões por causa de vagas de garagem estão entre as principais motivações de conflitos em condomínios. Para resolução de problemas, como veículos maiores que as vagas, condômino que ocupa vaga de outro ou o morador que usa o espaço como depósito, vale apelar para o bom senso e a empatia, para que todos possam conviver em harmonia.

Por fim, lista de situações que podem gerar conflitos em condomínios é extensa e engloba ainda outros tópicos polêmicos. Para evitar dor de cabeça, o ideal é que o síndico esteja preparado para lidar com cada uma delas e, assim conseguir evitar problemas maiores.

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